Quais lutos estamos vivendo nas empresas? Como enfrentar?




As ocorrências significativas nas dimensões pessoal, profissional, social ou da comunidade, estão entrelaçadas e impactam na vida total do trabalhador. Esta, influencia e reverbera tanto no funcionamento quanto nos resultados organizacionais. É um sistema interdependente do qual fazem parte também todos os demais stakeholderes. O Covid-19 mostrou, mais do que nunca, quanto a humanidade é interligada.


A pandemia evidenciou, no que se refere às empresas, a extrema importância da atenção e cuidado necessários à saúde física e mental dos colaboradores (e familiares). Refere-se aqui às medidas de prevenção, controle da doença e os possíveis danos e impactos, quando da ocorrência da mesma (isolamento domiciliar e/ou hospitalar e óbito), tanto com relação aos trabalhadores que desenvolvem suas atividades nas instalações da empresa, quanto aqueles que estão em home office. Estes, com a sobrecarga dos afazeres domésticos, cuidados com filhos e os aspectos educacionais.


A perda de familiares, amigos, colegas é um luto bastante significativo e intenso sempre. Porém, junto com este, outros lutos se somaram no último ano e meio, como por exemplo, sequelas na saúde, perda de emprego, da condição financeira, de relacionamentos, de planos concretos (viagens ou comemorações), da sensação de

controle, da liberdade de ir e vir sem medo, da rotina, do papo no cafezinho ou após o expediente... Enfim, a perda das diversas demandas que as pessoas têm, que são importantes nas vidas delas e das quais tiveram que abrir mão.


Visando a saúde física, tanto as organizações quanto os que fazem parte dela, criaram “arranjos”, adaptações para que a vida empresarial e das pessoas que a compõe pudessem seguir, esperando que fosse uma situação temporária. Porém, o prolongamento da mesma com um fim ainda incerto, além da saúde física, impacta as relações pessoais e de trabalho, causando dispêndio de energia, tensão, pressão, excesso de trabalho, estresse e possíveis conflitos.


As empresas, que estão atentas a essas interligações dos sistemas, olham com cuidado maior para os impactos das mudanças, das perdas diversas, que os colaboradores vivenciam. Estes aspectos, impactam na saúde organizacional nas várias dimensões como: produtividade, desenvolvimento, comercial, financeira, pessoas e continuidade da marca, entre outras. Assim, é importante que a empresa tenha ações de cuidado e atenção em duas direções complementares: 1.colaboradores (situações individuais); 2. equipes (são força e suporte frente às dificuldades individuais e coletivas).


Desta forma, além das ações de cuidado como as Rodas de Conversa e os atendimentos individuais, a experiência tem mostrado que tornou-se importante instrumentalizar e repassar conhecimentos no que se refere aos sintomas e comportamentos das pessoas, bem como as possíveis formas de enfrentamento que podem ser utilizadas, quando em estão impactadas por situações de crise, de luto (por perdas variadas), por mudanças na empresa, nas relações e na área pessoal.

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