MUDANÇAS E APEGOS (engajamentos)

Lourdes Sgarabotto

27 de Outubro de 2021


O comportamento de apego, que faz parte da natureza humana, levou o ser humano a formar e pertencer ao grupo, ao qual se adaptou e garantiu a sobrevivência da espécie no ambiente perigoso em que vivia. Esses grupos foram criando uma cultura própria com seus rituais, valores, normas, símbolos, como forma de agregar e manter o engajamento naquele grupo específico.


Hoje, a empresa equivale ao tipo de grupo que fornecia todas as necessidades de segurança aos nossos ancestrais. Segurança, atualmente, vai além de emprego e salário. Significa também pertencer ao um grupo, participar no alcance de objetivos e resultados, utilizar suas competências, autoestima, realização pessoal e profissional, ter amigos, fazer parte do exercício da cultura organizacional, construção do significado de existir, entre outros aspectos.

Atualmente o comportamento de apego na vida adulta é comumente direcionado para a família, amigos, escola, grupo de trabalho, organizações, papel social, como exemplos comuns.


Qualquer mudança organizacional arrisca colocar a cultura da empresa em reação contrária à natureza inerente do indivíduo. Não é do humano aceitar mudanças facilmente, pois geralmente representa a perda de algo familiar ou que possui apego, resultando em um tipo de luto que irá requerer um período de ajuste. Esta é a essência da dificuldade que confunde a mudança organizacional, pelo desconhecimento deste ciclo que envolve as mudanças.



Não considerar estes aspectos na proposição da mudança pode elevar as dificuldades na aceitação e implantação das mesmas, além de diminuir o engajamento das pessoas (e da produtividade) na organização.


No entanto, no ambiente econômico atual, a mudança organizacional tornou-se um fato da vida, e podemos esperar que a taxa de mudança continue a aumentar em um ritmo cada vez maior. Portanto, a mudança é inevitável, busca e pode aprimorar os propósitos da organização.


Embora possa ativar o comportamento de apego e trazer um período de luto (buscando segurança), também pode ser usado para nos aproximar e reforçar ainda mais nosso apego ao grupo. Desta forma, tudo dependerá de como serão liderados os processos de mudança dentro da organização.

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