Liderança em situações de crise: orientações e comportamentos do líder na pandemia


A pandemia atingiu diretamente nossas necessidades básicas: sobrevivência e segurança. Quando estas são impactadas pelo desconhecido, por exemplo, traz medo e muita ansiedade. Assim, somado ao medo de ficar doente; contagiar colegas ou a própria família; perder o emprego; incerteza sobre o aspecto financeiro, alguns estão vivendo outras situações novas: trabalhar em casa, filhos estudando em casa, a falta de contato com outras pessoas, privação do trabalho presencial. São muitas adaptações necessárias e incertezas para dar conta ao mesmo tempo. Isso tudo abala o estado emocional e estressa. Quando isso acontece, o aspecto racional também é impactado. O agir pode ficar mais confuso e lento. O papel das lideranças neste momento é fundamental. Elas podem e devem aliviar estas emoções para auxiliar os liderados realizarem melhor suas atividades.

O líder deve cuidar de si

Antes de enfrentar qualquer situação importante na vida, primeiro precisamos nos preparar. Neste momento, uma forma pode ser: prestar atenção e clarear “o que é mais assustador para mim?” “O que acho que pode acontecer comigo, com minha família?” “O que me torna mais vulnerável?” Por outro lado, também deve trazer à memória situações difíceis que já viveu, e quais coisas ajudaram a superar aqueles momentos. Com isso, terá noção do presente, que superou aquilo e que agora também será superado. Esta consciência pode mostrar que algumas coisas são fantasiosas, pois ainda não estão acontecendo neste momento. Terá que olhar para isso, pensar nisto, mas depois. Esse exercício alivia a ansiedade, porque torna mais concretas as emoções e ajuda as ideias e a produtividade fluir.

O grupo gestor

Uma ação significativa que os gestores podem fazer é reunirem-se e tornar claro alguns aspectos sobre o grupo e sobre a empresa, como por exemplo: “O que nos assusta mais, nos deixa mais vulneráveis neste momento?” “Que forças possuímos e que nos protegem mais?” “O que, acima de tudo, faz com que nos mantenhamos firmes para seguir com a empresa, neste momento?” “Quais estratégias podemos definir hoje para fluir?” O alinhamento do grupo proporciona força e impulso para cada gestor cuidar da sua equipe de forma mais eficaz e alcançar os objetivos que a empresa precisa.

Cuidando da equipe

É necessário criar um espaço para que as ansiedades e medos sejam expostos e acolhidos como naturais, uma vez que é isso que acontece com o ser humano, como o início do texto mostrou. Esses momentos servem como uma abertura num tanque cheio de água, evitam o transbordamento, aliviam a tensão, o estresse. Uma sugestão para estes momentos é pedir que as pessoas da equipe compartilhem como se organizaram, como estão fazendo com a rotina de casa agora. Além de ajudarem outras pessoas e se organizarem, estas sentem-se acolhidas e que estão participando do todo. Em outro momento, pessoas que tiveram dificuldades e superaram também podem falar como fizeram. Outra sugestão seria relembrar momentos difíceis, crises que a empresa passou e pessoas que participaram daquele processo, o que foi feito para superar. Isso integra e estimula a seguir em frente. É importante a liderança utilizar estes momentos para também falar sobre cada uma das providências que foram tomadas nas várias esferas: física, financeira e emocional (orientar as possibilidades de escuta por parte do RH da empresa, da psicologia, por exemplo). Estas ações proporcionam clareza e segurança às equipes de que os gestores estão junto com elas, pensando e fazendo o seu melhor para aquele momento, que depois poderá ser necessário novos movimentos, mas que estão junto com todos. Isso traz maior tranquilidade e, com a parte emocional mais aliviada, será mais fácil liberar o raciocínio, a produtividade. Com estas ações e o cenário mais claro (a necessidade que precisa ser atendida, o objetivo que precisa ser alcançado para o bem de todos na empresa para aquele momento), a equipe estará mais preparada para cocriar estratégias para seguir em frente. Assim, é interessante convidar para que contribuam com ideias a respeito do que precisa para fluir, quais as ideias para avançar, o que é necessário entregar, visando atingir os objetivos necessários

Vale lembrar

  • Procurar os acertos, enfatizar as ideias, mesmo que as não viáveis (explicar porque não são naquele momento) e agradecer pela contribuição.

  • Medo dificulta o pensamento produtivo e poderá levar a erros. Com o estado emocional mais fragilizado, nada neste momento é óbvio. Assim, é importante perguntar, reafirmar, inclusive a rotina.

  • Prestar atenção não só ao verbal, mas também ao não verbal: desatenção, contração corporal, agitação. São sinais que a tensão está alta e poderá levar ao conflito e confronto. Tomar providências antes disso acontecer.

  • Não adianta dizer: “não pense nisto”. É importante mostrar que é natural essas preocupações. Que todos estamos sentindo essas ansiedades e não estamos imunes ao medo, mas que podemos seguir, apesar dele.

  • Escutar, analisar, mas sem julgar.

  • Cobrança de resultados: compreender as dificuldades de concentração, mas que é importante buscar ter o foco nas estratégias que foram delineadas, pois os resultados ajudarão a todos. Perguntar que tipo de ajuda a pessoa precisa e, sobretudo, se colocar à disposição em como pode ajudar para que as atividades possam fluir.

Com estas ações ficará mais claro e forte a convicção que juntos é possível superar.

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